CHANUKÁ 2019

1 - Introdução

 

Em Chanuká comemoramos a vitória do Povo Judeu contra a os Gregos, que queriam que nosso povo assimilasse a cultura helênica, proibindo-nos de cumprir as mitzvot da Torá.

Houve uma guerra milagrosa, onde poucos venceram muitos, fracos venceram fortes. Ao fim desta guerra, o Povo Judeu conseguiu recuperar sua independência, retornando ao Beit Hamikdash. Lá foi encontrado somente um frasco de azeite puro, que seria suficiente para acender a menorá durante um só dia, porém, mais um milagre aconteceu – este azeite durou oito dias.

 

2 - Datas e horários em 2019

 

Neste ano, a festa de Chanuká começa no dia 22/12 (domingo à noite) e dura até o dia 30/12 (2ª feira), mas o último acendimento de velas é feito no dia 29/12 (domingo) à noite.

A chanukiá deve ser acesa no horário da saída das estrelas, neste ano, a partir das 19:11h e deve permanecer acesa por, no mínimo, 30 minutos.

Caso já tenha passado o horário da saída das estrelas, ainda podemos acender as velas por todo o tempo em que ainda há pessoas circulando e que vejam a chanukiá, publicando o milagre. Assim, há quem diga que pode ser acesa até por volta das 21h e há quem diga, até meia-noite. De qualquer forma, enquanto os familiares estiverem acordados, mesmo que já tenha passado deste horário, podemos acender com brachá. Caso já tenham ido dormir, devemos acender sem brachá.

A partir de 30 minutos antes do horário do acendimento, já não podemos começar uma refeição.

Os oito dias de Chanuká não são Yamim Tovim, portanto, não se aplicam todas as proibições de trabalho relacionadas a Yamim Tovim.

Coloca-se tefilin normalmente.

 

3 – Antes do horário da saída das estrelas:

 

Há quem costume acender a chanukiá no horário do pôr do sol, neste ano às 18:40h. Caso acenda neste horário, as velas devem permanecer acesas até 20 minutos após o horário da saída das estrelas.

Em situações de extrema necessidade, pode-se acender a partir do horário de “plag haminchá”, 1h e 15 min antes do pôr do sol, neste ano a partir das 17:31h. Também neste caso, as velas devem permanecer acesas até 20 minutos após o horário da saída das estrelas. Neste caso, a Mishaná Berurá diz que podemos fazer a brachá e o Kaf Hachaim sustenta que não devemos fazer a brachá.

 

4 - Shabat

 

            Na véspera de shabat, devemos acender, primeiramente, as velas de chanuká e, somente depois disso, acendemos as velas de shabat. Deve-se tomar cuidado para acender a chanukiá antes do horário do shabat, pois, passando do horário, é proibido acendê-la. Assim, neste ano, na 6ª feira de chanuká, dia 27/12, devemos acender a chanukiá antes das 18:21h.

            Uma vez que, na véspera de shabat, as velas de chanuká são acesas bem antes do horário da saída das estrelas, elas devem ter uma duração de pelo menos uma hora e meia. Apesar de, nos outros dias de chanuká, acendermos a chanukiá com velas menores (especiais para chanuká), na 6ª feira, podemos acender com velas comuns, que são maiores e duram mais.

            Na saída do shabat (sábado à noite), devemos acender as velas somente após o término do shabat. Em nossas casas, devemos fazer a havdalá e depois acender a chanukiá (há quem sustente o contrário). Assim, no sábado à noite, só podemos acender após as 19:18h. Já na sinagoga, costumamos acender as velas de chanuká e, depois, recitar a havdalá.

 

5 - Localização da chanukiá

 

            O costume é acender a chanukiá na porta de casa, do lado esquerdo, para que fiquemos cercados de mitsvót: a mezuzá na direita e chanukiá na esquerda.

            Hoje em dia, como a maioria das pessoas mora em apartamentos, é bom acender numa janela, para espalhar o milagre para os moradores dos prédios vizinhos.

            O mais correto é que ela seja acesa em uma altura acima de 30cm e abaixo de 80cm.

            A obrigação do acendimento da chanukiá é somente numa casa fixa. Desta forma, não se cumpre a mitsvá acendendo num ônibus ou avião.

Há opiniões que dizem que mesmo sem uma casa fixa há obrigação e deve-se acender pelo menos uma vela e, se depois mandarem apagar, pode-se apagar. Se a pessoa sabe que terá que apagar dentro dos 30 min, neste caso ele deve acender sem brachá.

           

6 - Quem deve acender a chanukiá

 

            O costume sefaradi é que somente o chefe da casa acende por todos. Já o costume ashkenazi, é que todos os homens da casa acendem, cada um sua própria chanukiá, e a esposa e as filhas cumprem a mitzvá através do acendimento do marido/pai. Mas se a mulher morar sozinha, ela mesma deve acender com brachá.

            O acendimento das velas feito na sinagoga é somente para espalhar o milagre, não isentando ninguém de acender em casa.

 

7 - Visita

 

            Mesmo aquele que está fora de casa, não está isento da mitzvá.

Os ashkenazim acendem normalmente, onde quer que estejam.

Já os sefaradim, se sua esposa/marido ou seus pais acenderem em sua casa, ele, mesmo estando fora de casa, já cumpre a mitzvá através deles e não precisa acender. Se quiser acender, deverá fazê-lo sem brachá. Caso ninguém acenda para ele em sua casa e, durante chanuká, está hospedado, comendo e dormindo na casa de outra família, também cumpre a mitzvá através do acendimento do dono da casa.

 

8 - Como a chanukiá deve ser acesa e que brachót recitamos

 

            A princípio, de acordo com a halachá, obrigação seria acender só uma vela a cada dia. Porém, costumamos embelezar a mitzvá, começando com uma vela e acrescentando mais uma a cada dia.

            Após ter acendido o shamash, antes de acender as velas, recita-se as brachot abaixo. No primeiro dia, as três. Nos demais dias, somente as duas primeiras. Depois das brachot, devemos acender com o shamash as demais velas.

As brachót são:

  1. Baruch atá ad-nai elo-heinu melech haolam asher kideshanu bemitsvotav vetsivanu lehadlik ner shel chanuká.

  2. Baruch atá ad-nai elo-heinu melech haolam sheassá nissim laavoteinu baiamim hahem bazeman haze.

  3. Baruch atá ad-nai elo-heinu melech haolam shehechianu vekiemanu vehiguianu lazeman haze.

            As brachót devem ser recitadas antes de começarmos a acender e a canção "hanerot halalu..." só pode ser iniciada depois de acendermos completamente a primeira vela da chanukiá (além do shamash).

            A primeira vela deve ser colocada na extremidade direita, a segunda (do segundo dia) a sua esquerda e assim por diante.

Já o acendimento, deve começar pela vela que foi acrescentada no dia, acendendo da esquerda para a direita.

            Costumamos ficar perto da chanukiá por um tempo.

 

9 - Detalhes sobre o acendimento

 

            A mitzvá é acender velas que possam permanecer acesas por um tempo mínimo de meia hora. Assim, é aconselhável que acendamos velas de pelo menos 1 hora. Se em menos de meia hora a vela apagou por algum motivo, ainda assim foi cumprida a mitzvá. Mas mesmo assim, é correto acendê-la novamente, sem brachá, caso não seja shabat.

Caso a chanukiá não tenha sido colocada, inicialmente, num local em que poderia ficar acesa por meia hora, como na frente de uma janela onde está ventando, se ela apagar, deve-se obrigatoriamente reacendê-la, sem brachá, pois é como se tivesse acendido uma chanukiá com pouco óleo. Por esse motivo, mesmo se fecharem as janelas antes das velas apagarem, ainda assim deve ser reacesa.

            A chanukiá deve ser acesa no lugar em que permanecerá até apagar. Após acesa, ela não poderá ser movimentada.

            Não podemos acender uma vela da chanukiá a partir do fogo de outra. Assim, se apagar o shamash, não podemos acendê-lo numa das velas da chanukiá.

 

10 - Proibição de ter proveito

 

            Costumamos acender uma vela a mais (shamash). O motivo desta vela é a proibição de termos proveito da luz das velas da chanukiá. Assim, acrescentamos uma vela a mais para termos proveito da luz desta vela e não da luz da chanukiá.

 

11 - Costumes e halachót

 

  • As mulheres costumam não fazer determinados trabalhos durante a primeira meia hora em que as velas estão acesas. Isto se deve ao fato do milagre de chanuká ter ocorrido pelo mérito das mulheres e é considerado como um "Yom Tov" para elas.

  • As refeições de chanuká são opcionais, ou seja, não há obrigação (mitzvá). Por outro lado, se fizermos refeições com agradecimento à D's, com músicas e palavras de Torá, com certeza estas se tornarão uma mitzvá.

  • Acrescentamos na amidá e no birkat hamazon o trexo "al hanissim...". Quem esquecer, não volta.

  • Devemos, também, dizer o Halel todos os dias de chanuká, agradecendo à D's pelo milagre.

 

Chanuka Sameach!

Rav Benjamin Zagury

baitrio@gmail.com

(21) 2235-6516