ROSH HASHANÁ 2019

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Rio de Janeiro

 

1 - Introdução

 

Rosh Hashaná, o ano novo judaico, é um dia muito especial, pois nele somos julgados por tudo o que fizemos durante o ano. Neste dia, é determinado o que acontecerá com cada um de nós no ano seguinte.

Assim, antes de Rosh Hashaná, devemos fazer teshuvá pelos nossos erros e pedir desculpas às pessoas que eventualmente tenhamos ofendido. Se não for possível fazê-lo antes, podemos fazer até mesmo no dia de Rosh Hashaná.

 

2 - Datas e horários em 2019

 

Neste ano, os dois dias de Rosh Hashaná caem em 30/09 e 01/10 (2ª e 3ª feiras), começando em 29/09 (domingo) à noite. Portanto, devemos acender as velas nos seguintes dias e horários:

  • 29/09 (domingo): 17:32h (1ª noite de Rosh Hashaná)

  • 30/09 (2ª feira): após 18:18h (2ª noite de Rosh Hashaná)

 

 

Pode-se voltar a fazer os trabalhos proibidos no dia 01/10 (3ª feira), às 18:26h, após recitar a havdalá.

Não se coloca tefilin nos dois dias de Rosh Hashaná (30/09, 01/10).

 

Lembretes para a véspera de Rosh Hashaná em 2019:

  • Deve-se acender, além do citado acima, uma vela grande (tipo "sete dias"), que dure até o final do Chag, para, através dela, transferir o fogo para cozinhar ou acender as velas da 2ª noite de Yom Tov.

  • Já que os dois dias de Rosh Hashaná são Yamim Tovim, é aconselhável que se estude as halachot de Yom Tov.

  • As berachot que devem ser recitadas sobre as velas de Rosh Hashaná (09 e 10/9) são:

    1. Baruch Atá Ad-nai El-henu Melech Haolam asher kideshanu bemitzvotav vetzivanu lehadlik ner shel Yom Tov.

    2. (Somente ashkenaziot recitam a berachá a seguir): Baruch Atá Ad-nai El-henu Melech Haolam shehecheianu vekiemanu vehiguianu lazeman haze.

Mulheres sefaradiot não costumam recitar shehecheianu no acendimento das velas e cumprem esta obrigação escutando a berachá de shehecheianu recitada no kidush.

Já as ashkenaziot costumam recitar a berachá de shehecheianu sobre as velas das duas noites de Yom Tov. Neste caso, a mulher não deve responder amen na berachá de shehecheianu recitada no kidush.

 

3 – Véspera de Rosh Hashaná

 

Na véspera de Rosh Hashaná há alguns costumes:

  • Ir ao cemitério visitar o túmulo dos entes queridos.

  • Dar tzedaká.

  • Imergir em um mikve (homens).

  • Há quem costume jejuar.

  • Hatarat nedarim – anulação de promessas (vide próximo item).

 

4 - Hatarat nedarim – anulação de promessas

 

Um dos costumes da véspera de Rosh Hashaná, tanto para homens como para mulheres, é participar de uma cerimônia onde anulam-se as promessas feitas no passado. Fazemos isto antes do julgamento, pois uma promessa não cumprida é algo muito grave.

Um homem pode representar sua esposa ou outras pessoas (sendo seu shaliach/enviado) para fazer hatarat nedarim.

Como se faz? Recita-se o texto contido no machzor de Rosh Hashaná, diante de três homens (se possível, dez homens). Hatarat nedarim não é uma reza e sim, um "ato jurídico". Portanto, não há valor se for recitado o texto do machzor sem compreender o que está dizendo. Sendo assim, para quem não entende hebraico, é permitido e aconselhável que todo o ritual seja feito através de um machzor com tradução para o português.

Vale ressaltar que nem toda promessa pode ser anulada. Caso a pessoa lembre de alguma promessa específica, deve falar com o rabino para saber se ela pode ser anulada. E as promessas que não recordamos são anuladas através desse ato.

 

5 - O toque do shofar

 

O toque do shofar é a mitzvá mais marcante do dia. Além de ser um mandamento da Torá, através do toque do shofar, podemos mudar todos os maus decretos. Portanto, devemos fazer o esforço necessário para escutar o toque do shofar junto com a congregação, na sinagoga.

Porém, se uma pessoa está enferma ou se, por algum motivo, não pode ir à sinagoga, deve procurar alguém que saiba tocar o shofar de acordo com a halachá, para que vá à sua casa e possa cumprir esta importante mitzvá.

Aquele que já cumpriu a mitzvá do shofar não pode tocá-lo novamente sem motivo, a não ser que seja para outra pessoa escutar e cumprir a mitzvá.

No momento em que se escuta o toque do shofar, é importante ter duas intenções: a de cumprir a mitzvá da Torá de ouvir o shofar; e a de cumprir a mitzvá através da pessoa específica que está tocando.

Após a berachá relativa ao toque do shofar, não se pode falar, até que terminem todos os toques, ou seja, até o final da reza.

A mitzvá do shofar deve ser cumprida em ambos os dias de Rosh Hashaná, durante o dia e não à noite.

No Shabat é proibido tocar o shofar.

 

6 - Tashlich

 

No primeiro dia de Rosh Hashaná, à tarde, costuma-se recitar o tashlich, diante de água corrente, de preferência num local onde haja peixes.

O motivo disto é que Avraham Avinu andou com água até seu pescoço quando foi sacrificar Itzchak. Por isso, vamos à água, lembrando do sacrifício de Itzchak e, assim, temos mais méritos, uma vez que somos seus descendentes.

A preferência por um lugar com peixes é como um bom sinal, para que não recaia sobre nós o mal olhado e para que nos multipliquemos como os peixes.

Em frente à água, recitamos os 13 atributos de misericórdia de D's, onde dizemos que D's nos limpa e "despeja nossos pecados no mar".

Caso o 1º dia de Rosh hashaná caia no Shabat, devemos adiar o tashlich para o 2º dia.

 

7 - As refeições festivas das duas noites de Rosh Hashaná

 

Nas refeições das duas noites de Rosh Hashaná, comemos determinados alimentos (simanim) e fazemos alguns pedidos para termos um bom ano. Por exemplo, comemos maçã com mel e pedimos à D's que nosso ano seja bom e doce (como o mel). Também costuma-se mergulhar a chalá no mel/açúcar e alguns costumam também, no sal.

            Para a primeira fruta (dos simanim) que for consumida, cuja berachá é "borê peri haetz", a berachá deve ser recitada da seguinte forma: fazer a berachá – comer um pouco da fruta – fazer o pedido que consta no machzor – comer o resto da fruta. Isto para não haver interrupção (com pedidos) entre a berachá e o ato de comer.

O kidush de Rosh Hashaná e os pedidos que recitamos sobre determinados alimentos, encontram-se nos machzorim.

No kidush das duas noites, acrescenta-se a bênção de shehecheianu. É bom que na 2ª noite haja sobre a mesa uma fruta nova ou que se vista uma roupa nova, para que a bênção de shehecheianu recaia também sobre ela.

O birkat hamazon, recitado após a refeição, deve conter o acréscimo "yaalê veyavo". Se esquecer de recitá-lo, sefaradim não precisam voltar, mas a ashkenazim precisam.

 

8 - Outros detalhes

 

Nos dois dias de Rosh Hashaná, há quem costume acordar antes do amanhecer para estudar Torá (podendo voltar a dormir após o meio-dia) e há quem costume terminar todo o Sefer Tehilim em Rosh Hashaná.

É muito importante tomar cuidado para não ficar nervoso no dia de Rosh Hashaná, pois isto não é um bom sinal para o novo ano.

É correto estudar sobre a tefilá de Rosh Hashaná, para que esteja preparado para rezar. Porém, aqueles que não compreendem a tefilá em hebraico, podem e devem recitá-la em português. Também podemos acrescentar tefilot espontâneas, em nossa própria língua, fazendo pedidos pessoais.

 

ASSERET YEMEI TESHUVÁ

 

1 - Introdução

 

De Rosh Hashaná (1 e 2 de tishrei) até Yom Kipur (10 de tishrei), são 10 dias, chamados de asseret yemei teshuvá – os 10 dias de arrependimento. Tirando os dois dias que são Rosh Hashaná e um dia que é Yom Kipur, restam sete dias.

O Rav Yonatan Aibishitz escreve que cada dia desta semana entre Rosh Hashaná e Yom Kipur pode consertar todos os dias das semanas do ano que passou.

Portanto, é muito importante tomar um cuidado especial com nosso comportamento durante esta semana, fazendo também teshuvá em cada um destes sete dias!

Continuamos recitando a reza de selichot durante os asseret yemei teshuvá.

 

2 – Mudanças nas rezas

 

Entre Rosh Hashaná e Yom Kipur devemos dizer na amidá, na berachá de atá kadosh: hamelech hakadosh em vez de hakel hakadosh. Se não se lembrar de alterar, deve-se repetir a reza desde o início (não adianta voltar para a berachá de atá kadosh) a não ser que tenha consertado imediatamente dizendo hakel hakadosh hamelech hakadosh.

 Nos dias de semana, em caso de dúvida se o fizemos ou não, também devemos repetir, pois provavelmente recitamos hakel hakadosh, como estavámos acostumados.

Em Rosh Hashaná, uma vez que a reza já é toda diferente, em caso de dúvida se falou ou não hamelech hakadosh, acredita-se que, provavelmente, recitou o correto junto com as outras partes que mudam. Existem outros trechos que se acrescentam ou se alteram na reza, mas em caso de esquecimento destes, não há necessidade de rezar novamente.

Outra mudança importante na amidá dos dias de semana é na berachá de melech ohev tzedaká umishpat que trocamos para hamelech hamishpat. Caso a pessoa tenha esquecido, o Ben Ish Chai escreve que não precisa voltar e, assim também, costumam os ashkenazim. Já de acordo com o Rav Ovadia Yossef, deve-se voltar para o início da berachá.

Temos também outros acréscimos na amidá dos dias de semana: zochreinu lechaim, mi chamocha av harachaman, uchtov lechaim, ubessefer chaim... Nestes, caso tenha esquecido, se já pronunciou o nome de D's, não pode voltar.

Acrescentamos também o salmo "mimaamakim" após o "ishtabach" e os sefaradim costumam falar "Hashem Hu Haelokim" antes do "Hashem Melech" e "avinu malkeinu" após a amidá.

Sefaradim acrescentam "avinu malkenu" mesmo no shabat e ashkenazim, não.

 

 

TSOM (JEJUM) GUEDÁLIA

 

1 - Introdução

 

Após a destruição do Primeiro Templo, Nabucodonosor, rei da Babilônia, deixou ainda judeus morando na Terra de Israel sob a liderança de um judeu chamado Guedália. Quando Guedália foi morto, os judeus que ainda estavam na Terra de Israel ficaram com medo da vingança do rei da Babilônia e fugiram para o Egito. Neste episódio, foram mortos milhares de judeus e apagou-se a última chama de nosso povo na Terra de Israel.

 

2 - Data e horários em 2019

 

Neste ano, o Tzom Guedália cai em 02/10 (quarta-feira), logo após Rosh Hashaná. O jejum é feito somente durante o dia.

  • Início: 04:25h

  • Término: 18:11h.

 

3 - Leis do Jejum

 

  • Quem tiver a intenção de acordar antes do amanhecer para comer ou beber, deve verbalizar isto antes de dormir.

  • Isentos do jejum: mulheres grávidas ou lactantes, doentes que pelo seu estado geral deveriam estar de cama e crianças com menos de bar-mitzvá.

  • É permitido tomar banho, porém não devemos lavar nossas bocas ou escovar nossos dentes neste dia (a não ser que haja grande necessidade, tomando muito cuidado para não engolir água).

  • Se for necessário tomar algum remédio, pode-se tomá-lo sem água, uma vez que ele não tem gosto.

  • A pessoa que se esquecer do jejum e, sem querer, comer ou beber, quando se lembrar da proibição, deve parar e continuar o jejum. Se ela se lembrar do jejum depois de já haver recitado a brachá anterior aos alimentos, deve comer uma quantidade muito pequena para que não fale o nome de D's em vão.

  • Devemos acrescentar a reza de "anenu" em minchá (sefaradim: também em shacharit). Aquele que se esquecer, não volta.

  • Há uma leitura da Torá especial. Para isso, deve haver na sinagoga pelo menos seis pessoas que estejam jejuando. Aquele que não estiver jejuando, ou que acha que não vai completar o jejum, não pode subir na Torá.

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